Se forem concretizados, os cortes no Sistema S vão diminuir as atividades e cursos oferecidos pelo Serviço Social do Comércio (Sesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). Pelo menos dois mil alunos ficarão sem cursos, cinco mil matrículas deixarão de ser realizadas em 2016 e 981 trabalhadores serão desligados do Sesc e do Senac, de acordo com uma estimativa feita pelo Sistema Fecomércio-PE. A simulação foi feita com a redução de 30% do orçamento do Sistema S anunciada na última segunda-feira, dia 14, pela presidente da República, Dilma Rousseff (PT), como uma das medidas do ajuste fiscal do governo federal.

“Estamos falando em reduzir nossos serviços essenciais, que são prestados com qualidade aos comerciários, seus dependentes e à população em geral. Reduzir recursos do Sistema S é a mesma coisa que reduzir o acesso à educação profissionalizante, à cultura, às práticas desportivas, de lazer, de saúde e de assistência social”, afirma Josias Albuquerque.
O plano do governo federal é empregar os recursos que serão cortados do Sistema S na Previdência, para cumprir a finalidade do ajuste fiscal, que é gerar mais receitas e cortar despesas. Os recursos que mantêm as entidades do Sistema S têm origem sobre a folha de pagamento das empresas, sendo de 1% para o Senac e de 1,5% para o Sesc, totalizando 2,5%. Esses recursos são recolhidos pela União e repassados às entidades.
Para 2016, somente o Sesc tinha previsto mais de 39 milhões de atendimentos nas áreas de educação, em saúde, cultura, lazer e assistência social. Já a meta do Senac para 2016 era atender 7.390 alunos somente no Programa Senac de Gratuidade (PSG). No Estado, o Senac oferece 640 cursos, incluindo 5 de graduação, 12 de pós-graduação, 22 de extensão, 37 técnicos, 454 cursos livres e 110 de educação a distância.
O corte do orçamento ameaça também as obras previstas pelo Senac e Sesc. O primeiro tinha previsto instalações novas e reformas no valor de R$ 108 milhões em Jaboatão dos Guararapes, no Edifício San Diego, no Centro do Recife, novo prédio da Faculdade Senac Pernambuco, entre outros. Já as obras, reformas e ampliação do Sesc totalizam um investimento no valor de R$ 143 milhões. “Não temos condições agora de saber o que vai ser cortado”, adianta Josias, acrescentando que este ano já ocorreu uma perda de 14% da receita do Sistema Fecomércio-PE devido à crise. O comércio reduziu o seu quadro de pessoal e isso impactou na arrecadação do Sistema S.
Informações divulgadas pelo Palácio do Planalto acenavam que a possibilidade do corte no orçamento do Sistema S é de 20%, porque a medida desagradou os empresários, incluindo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Armando Monteiro Neto, que criticou a medida. Ele atuou como presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe) e da Confederação Nacional da Indústria (CNI), ambas ligadas ao Sistema S.