Com 11.587 casos diagnosticados da COVID-19 e 927 mortes em
decorrência da doença até essa sexta, dia 8, Pernambuco encerra mais uma semana
atravessando a fase de aceleração descontrolada dos casos de infecção pelo Novo
Coronavírus.
O aumento visto nesta semana, entre os dias 2 e 8 de maio, foi de 4.263 casos -
na sexta-feira passada, dia 1º, eram 7.334 casos e 760 mortes. Na semana
anterior, entre os dias 25 de abril e 1º de maio, a subida havia sido de 3.335
casos, ou seja, quase mil casos a menos. Apesar desse cenário, que já causa
pressão nos sistemas de saúde público - estadual e municipais - e privado, as
autoridades são firmes em dizer que dias piores ainda estão por vir.
"Sem dúvida nenhuma, esses dias já são terríveis para 927 famílias
que tiveram vidas de pessoas queridas interrompidas. Não se imaginava isso há
quatro meses. Já são dias dificílimos para os profissionais que estão nas UPAs
(Unidades de Pronto Atendimento), com pacientes graves chegando e sem dar conta
de transferir todos no mesmo dia em que chegam. São dias difíceis para que
acompanha os pacientes nas enfermarias e nas UTIs públicas e privadas sem saber
como serão suas evoluções. Mas os dias piores, infelizmente, ainda não
chegaram. Não chegamos no pico ainda em nosso Estado. É provável que a doença
ainda chegue em muitos outros lugares no Estado”, disse o secretário de Saúde
de Pernambuco, André Longo, lembrando que o vírus se alastra pelos municípios
do Interior.
Vivendo esse momento na linha de frente, o chefe do Departamento de
Infectologia do Hospital Oswaldo Cruz, Demetrius Montenegro, reforça que muitas
pessoas não acreditam na gravidade do momento e no quanto o cenário ainda pode
piorar.
"O adiamento desse pico (de contágio) faz as pessoas não
acreditarem que dias piores virão. Quanto mais empurrarmos esse pico para
frente é uma coisa boa, porque dará tempo para os leitos de UTI serem preparados
e tentar diminuir a famosa lista de espera. A guerra existe. Muita gente não
acredita ainda e é justamente por isso que vemos muitos nas ruas”, disse Demetrius
Montenegro, que recentemente classificou a situação atual como guerra sem
bombas.
O pico epidêmico está diretamente ligado ao comportamento da população. Se
obedecidas as medidas restritivas de distanciamento e isolamento social, o
ritmo de contágio é mais lento, achatando a curva de contaminação, que passa a
ser mais extensa em duração, porém menos agressiva para os sistemas de saúde,
permitindo capacidade de atendimento para aqueles que manifestam quadros
graves. (Com informações de Irce Falcão/Folha de Pernambuco. CONFIRA)